segunda-feira, 8 de setembro de 2014



 As  orações dos homens   
subam eternamente aos teus ouvidos;
Eternamente aos teus ouvidos soem
Os cânticos da terra.

No turvo mar da vida,
Onde aos parcéis do crime a alma naufraga,
A derradeira bússola nos seja,
Senhor a tua palavra.
A melhor segurança
Da nossa íntima paz Senhor, é esta;
Esta a luz que há de abrir a estância eterna 
O fulgido caminho.

Ah! feliz o que pode,
No extremo adeus as cousas  desse mundo,
Quando a alma despida de vaidade,
Vê quanto vale a terra;

Quando das glórias frias
Que o tempo dá e o mesmo tempo some,
Despida já- os olhos moribundos
Volta as eternas glórias;

Feliz o que nos lábios,
No coração, na mente põe teu nome,
E só por ele cuida entrar cantando
No seio do infinito.

                                                             
                                                                              Machado de Assis ( 1839-1908 )
                                                                        

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