domingo, 4 de agosto de 2019

A Gosto de Deus



 Ele chegou faz quatro dias. E como em todos os anos, sua chegada provoca certo desconforto em uns e um verdadeiro pavor em outros. Conhecido como o mês do desgosto ou do cachorro louco, são atribuídas  a ele variadas crenças como: encontrar no caminho um gato preto, lavar a cabeça, ou mesmo casar,  traz má sorte. Relatos de tragédias ocorridas no mês de agosto endossam esses sentimentos, agravando ainda mais a situação. 
 Entretanto, apesar de inúmeras justificativas, o fato é que somos tendenciosos a enxergar mais o lado negativo das coisas. As experiências ruins são as que mais lembramos e comentamos. Os benefícios que nos são feitos costumam ser esquecidos no instante que somos alvo de alguma ingratidão. Sim, é desse jeito que age a maioria de nós, quando não trabalha as emoções. Talvez, isso explique o fato de mesmo os que não costumam ser supersticiosos, demonstrarem-se ressabiados em relação ao mês de agosto. 
 "O que eu mais temia me sobreveio", afirmou Jó em meio  o sofrimento (3:25). Embora as provações que enfrentou não tenham sido uma resposta ao seu medo, suas palavras atestam que em seu coração já havia temor antes mesmo de vivenciá-las. Em alguns casos o medo pode auxiliar-nos na prevenção do que é danoso, no entanto em proporções exageradas, ele paralisa-nos, impedindo-nos de avançar. Com frequência lido com pessoas que deixam de realizar ou investir em algo por medo de fracassarem. Preferem não arriscar. E o resultado é sempre o mesmo: uma vida impedida de experimentar o sabor de uma conquista.
 Em um dos salmos mais lidos no mundo inteiro, o rei Davi exclama "ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte não temeria mal algum, porque Tu estás comigo, a tua vara e o teu cajado me consolam"... Eis aqui alguém que teve motivos diversos para viver amedrontado, afinal enfrentou por anos a perseguição cruel de vários inimigos. No entanto, em todos os momentos preferiu confiar no cuidado e proteção do Deus Eterno.
 Enquanto escrevo estas palavras posso sentir o frio e ouvir a chuva que cai lá fora, e então lembro-me de que o inverno breve nos deixará. Mais uns dias, e será primavera! O período maravilhoso das flores. Agosto ficará no passado, e como em todos os anos, já não será lembrado ou temido. Pois assim é feita a vida, de estações que vem e vão. E por todas elas precisamos passar, porém sem nunca esquecer, que o Deus que as criou é o mesmo que as controla.

Carmen Correia

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Não Sei...





Não Sei...                             

Cora Coralina





Não sei... se a vida é curta... Não sei...  Não sei... se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos faz sentido se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que sacia, amor que promove. 
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido á vida. É o que faz com que ela não seja curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira e pura... enquanto durar.





Por Carmen Correia
                                                                                 
                                                                            










domingo, 10 de setembro de 2017

Um Jeito Singular





 Uma pobre mulher morava em uma humilde casa com sua neta que estava muito doente. Como não tinha dinheiro para levá-la a um médico e vendo que apesar de seus muitos cuidados a menina piorava a cada dia, com muita dor no coração resolveu deixá-la sozinha e ir a pé até a cidade mais próxima em busca de ajuda.
 No único hospital público da região foi-lhe dito que os médicos não poderiam se deslocar até a sua casa, ela teria que trazer a menina para ser examinada. Desesperada por saber que sua neta não conseguiria sequer levantar-se da cama, ao passar em frente a uma Igreja resolveu entrar. 
 Algumas senhoras estavam ajoelhadas fazendo suas orações. Ela também ajoelhou-se. Ouviu as orações daquelas mulheres e quando teve oportunidade, também levantou a voz e disse: 
__ Olá, Deus! Sou eu, a Maria. Olha, a minha neta está muito doente. Eu gostaria que o SENHOR fosse-lá, curá-la. Por favor anote aí, Deus, o endereço.
 As demais senhoras estranharam o jeito daquela oração, mas continuaram ouvindo.
__ É muito fácil. É só seguir o caminho das pedras e,  quando passar o rio com a ponte, o SENHOR entra na segunda estradinha de barro. Passa a vendinha. O último barraquinho daquela ruazinha é o meu.
 As senhoras que a tudo acompanhavam esforçavam-se para não rir.
Ela continuou. __ Olha, Deus, a porta tá trancada, mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho na entrada. Por favor, SENHOR, cure a minha netinha. Obrigada.
E quando todas achavam que já tinha acabado, ela complementou. __ Ah, SENHOR, por favor, não se esqueça de colocar a chave de novo embaixo do tapetinho vermelho, senão eu não consigo entrar em casa. Muito obrigada, obrigada mesmo.
Depois que dona maria foi embora, as demais senhoras soltaram o riso e ficaram comentando como é triste descobrir que as pessoas não sabem nem orar. Mas dona Maria, ao chegar em casa, não pode conter-se de tanta alegria ao ver a menina sentada no chão, brincando com suas bonecas. 
__ Minha neta você já está de pé? A pequena olhou carinhosamente para a avó, disse. __ Um médico esteve aqui, vovó. Me deu um beijo na testa e disse que eu ia ficar boa. E eu fiquei boa. Ele era tão bonito, vó! Sua roupa era tão branquinha que parecia até que brilhava. Ah! Ele mandou lhe dizer, que foi fácil achar a nossa casa e que ele ia deixar a chave debaixo do tapetinho vermelho, do jeitinho que a senhora pediu.


Que história singular! Nos ensina o valor de um coração sincero  e confiante. Deus não se impressiona com palavras, mas um coração quebrantado e contrito não desprezará jamais! Salmo 51:17


                                  


                                        Por Carmen correia



(autor desconhecido)



















             




quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Quem Foi?




  Um certo jovem  após ser promovido á presidência de uma importante multinacional, recebeu de seu antecessor três envelopes com a seguinte orientação:
__ A cada problema difícil de resolver, abra um envelope.
O moço guardou a recomendação mesmo não a entendendo. Passado alguns meses, a empresa começou apresentar sinais de prejuízos. O jovem presidente lembrando da recomendação, abriu o primeiro envelope onde continha a instrução:
__ Culpe o seu antecessor.
Ele reúne os acionistas, mostra os gráficos e convence-os de que a culpa era do seu antecessor. Os investidores convencidos pelo discurso dele, resolvem prosseguir com os investimentos e assim a empresa supera a crise.
Um ano após, os lucros começam a despencar e o rapaz recorre ao segundo envelope e encontra outra recomendação:
__ Corte custos.
Imediatamente ele propõe uma reunião com a diretoria e apresenta-lhes como solução "cortes drásticos"em todos os setores. A proposta é aceita e os acionistas veem em pouco tempo, os resultados surpreendentes e satisfatórios.
Tendo passado um ano. A empresa enfrenta nova crise. Achando-se mais experiente agora,  recorre ao terceiro e último envelope e lê com desânimo a orientação:
__ Prepare três envelopes!


Comumente pomos a culpa de nossos fracassos  em alguém. Somos tendenciosos a não assumirmos nossos erros e a justificá-los com bodes expiatórios. As Escrituras Sagradas nos relatam um episódio onde vemos isso claramente. Se encontra no livro dos Gênesis. 3:11-13. "Comeste tu da árvore que ordenei que não comesses?
Então disse Adão: " A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e eu comi".
E disse o Senhor Deus á mulher: Por que fizeste isto?
E disse a mulher: "A serpente me enganou, e eu comi".

Por Carmen Correia

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Procurado Por Deus










Hoje pela manhã tive a oportunidade de pregar em um culto a Deus pelo aniversário de uma amiga muito querida. E a palavra que o Senhor pôs em meu coração, foi baseada no texto do livro de Ezequiel 22:30 que diz: "Procurei dentre a nação um homem que se pusesse entre a brecha diante de mim em favor da terra, para que eu a não destruísse, mas não encontrei nem um só".

Há muito que venho meditando no contexto dessa passagem. Pois diante da situação que se encontra o nosso país, vejo a necessidade de sermos cada vez mais esse homem (pessoa) que vai se dispor a vontade de Deus para ser o instrumento usado para trazer cura á essa nação.
Nessa época a qual se refere o profeta, a nação de Judá estava totalmente mergulhada no pecado e distanciada do Senhor. As três classes principais da sociedade que eram os príncipes, sacerdotes e profetas estavam corrompidas. Assim como todo o povo aborrecia ao Criador com sua idolatria e desobediência. As leis do Senhor não eram guardadas por eles e então o Senhor Deus vai anunciar o cativeiro como punição por sua rebeldia.
 Dentro desse caos que se instaurou no Brasil, quando estudiosos e políticos não encontram um consenso para a crise, e a corrupção está instalada em outras esferas da sociedade, inclusive na Igreja que apresenta um cenário onde escândalos, apostasia e heresias são cometidos por aqueles que pregam um falso evangelho e não vivem a verdade da palavra de Deus, nós precisamos fazer a diferença.
Como? Se posicionando como verdadeiros atalaias. Vivendo e pregando a verdade de Cristo. Proclamando a esse mundo á salvação em Jesus. Anunciando que só Ele pode mudar o coração dos homens. Transformá-los e dá-los uma nova direção de vida. O Brasil só conhecerá a paz e o amor quando se voltar para o seu Criador. Quando amar e obedecer suas leis que são perfeitas e capazes de restaurar o íntimo do ser trazendo bálsamo e cura.

"Como são felizes os que andam em caminhos irrepreensíveis, que vivem conforme as leis do Senhor! Como são felizes os que obedecem os seus estatutos e de todo o coração o buscam! Não praticam o mal e andam nos caminhos do Senhor. Tu mesmo ordenastes os teus preceitos para que sejam fielmente obedecidos. Quem dera fossem firmados os meus caminhos na obediência aos teus decretos. Então eu não ficaria decepcionado ao considerar todos os teus mandamentos". Salmo 119: 1-6

Por Carmen Correia

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O Silêncio Que Constrói











 Você já reparou que certas atividades requerem silêncio?

Por exemplo: o médico que está verificando a pressão de um paciente. Como ele ouvirá com precisão as batidas se houver barulho á sua volta? Difícil, não? Com certeza dará uma informação alterada. Uma mãe ao ninar seu bebê, necessita de um ambiente calmo e tranquilo ou do contrário a criança não terá condições de dormir e ficará agitada. Tente contar alguma coisa com alguém falando e você verá 1,2,3... e lá estará você recontando pois, percebe que se perdeu na contagem.

A bíblia nos compara a um vaso de barro (II Cor 4:7) e no livro do profeta Jeremias o Senhor diz que Israel é como um vaso nas mão do oleiro. O texto é lindo! Veja: 
Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor:
"Vá á casa do oleiro, e ali você ouvirá a minha mensagem".
Então fui á casa do oleiro, e o vi trabalhando com a roda.
Mas o vaso de barro que ele estava formando
estragou-se em suas mãos e ele o refez, moldando outro vaso de acordo com a sua vontade. 
Então o Senhor me dirigiu a palavra: Ò Israel acaso não sois nas minhas mãos assim como esse vaso nas do oleiro? Jeremias 18: 1-6
Não concebo a ideia do oleiro concentrado em seu ofício em meio á falatórios e agitações.
Porém o vejo atento a cada detalhe de sua importante missão; moldar, formatar e dar resistência e beleza ao vaso. Para que ele fique da maneira que lhe agrade. E depois todos poderão apreciar e enaltecer a obra de suas mãos, reconhecendo o talento do oleiro e a utilidade do vaso. Em nossa caminhada muitas vezes enfrentamos aqueles momentos que nos levam a pensar que estamos sós. Oramos, clamamos e parece que o Criador não nos ouve.  Então tentamos chamar á atenção de Deus com gritos, queixas e atitudes que em nada resolvem ou ajudam a nossa dor. Isso é porquê Ele apesar de ouvir, está empenhado em seu magnífico trabalho de nos lapidar e só parará quando tiver terminado sua obra. 
Com isso aprendo que o silêncio de Deus não significa ausência de trabalho ou atenção a meu respeito, muito pelo contrário sinto que seus olhos estão sobre mim atentamente procurando fazer-me um excelente vaso para a glória do seu nome.

Por Carmen Correia




domingo, 24 de janeiro de 2016

Agora é Lei




 Agora é Lei. O estabelecimento que se recusar a permitir que uma mulher amamente o seu bebê em público terá que pagar uma multa no valor de R$ 500. A notícia no jornal deixou dona Zita abismada e enfurecida.
__ Esse prefeito só faz besteira. No meu tempo mulher decente não andava mostrando os peitos em público não! Esse mundo está perdido mesmo!
__ Não fala bobagem mãe! O jovem saboreando um açaí  enquanto manuseava o celular retrucou.
__ O que isso Zezinho? Isso é modo de falar com a sua mãe?
__ Deixa comadre, já já dou-lhe uns bons tapas e ele se emenda. A mulher interrompeu a vizinha ao mesmo tempo que lançava um olhar de reprovação para o filho sentado no sofá.
__ Vamos então? A vizinha de longa data perguntou encerrando o assunto.
Dona Zita era dessas mulheres de gênio forte, autoritária, costumava justificar dizendo que era sincera, o que a levava a dizer o que pensava a qualquer um sem dó nem cerimônia.

 Enquanto caminhavam pelo bairro em direção ao ponto do ônibus, as amigas conversavam sobre a nova lei e o grande absurdo que era o fato de uma mulher dar mamar a uma criança diante de todo mundo. Discursaram tanto sobre o assunto que já estavam sentadas dentro do lotação, quando ouviram o choro incessante de uma criança que parecia incomodada com alguma coisa. Olharam ambas para  trás e viram uma jovem do seus dezenove anos aproximadamente, morena, bonita que parecia atrair os olhares curiosos ao tirar o seio para fora da blusa e começar a amamentar o filho.

Depois de trocarem farpas de ódio pelos olhos, começaram um irritante jogo de indiretas em direção a moça que tranquilamente alimentava o neném e ao mesmo tempo ouvia uma música tendo um fone ao ouvido ligado ao celular.
Nesse instante uma senhorinha que mais parecia acometida de ciúmes pelos olhares do marido para a jovem amamentadora, começou a dar voz aos insultos das amigas indignadas e passou a ofender a menina que logo foi defendida por um funkeiro e pelo cobrador que a esta altura já gritava por silêncio e ordem dentro do recinto. 

O motorista irritado com aquela balbúrdia ameaçou parar o veículo, o que causou mais comoção nos passageiros que irromperam em xingamentos e ameaças de agressão ao condutor. Um afro-descendente gritou lá do fundo que era puro racismo pela injustiçada ser morena, enquanto um senhor com uma camisa com estampa do Che intervém e alega que deve ser coisa de fundamentalista medieval e retrógrado. O curioso é que a moça permaneceu ouvindo seu som e amamentando até o próximo ponto onde tranquilamente ajeitou a roupa , levantou-se endireitando o pequeno no colo e puxou a cigarra esperando parar e saltou do ônibus com cara de quem não entendeu nada daquela confusão no coletivo. A noite enquanto abria uma latinha de cerveja e assistia um casal que fazia sexo embaixo de um edredom num certo programa de tevê, dona Zita lembrava do episódio e pensava: que moça mais desavergonhada, eu hein!

Por Carmen Correia