sexta-feira, 24 de julho de 2015

A Festa Imprópria




  Peter saiu do elevador, e enquanto caminhava pelo corredor em direção ao apartamento, balançava agitadamente o chaveiro em sua mão. Parou em frente a porta, respirou fundo e  abriu-a, reparando a quantidade de pessoas espalhadas pelo ambiente. 

O som alto da música, misturado a expressão de alegria no rosto do homem que se vira para cumprimentá-lo, dissipou suas dúvidas.
__ Então era verdade! O senhor está mesmo dando uma festa.
__ Filho! Que bom que você veio. Venha, vou lhe servir um suco de abacaxi com hortelã, do jeito que você gosta.
__ Por favor papai, me solte. Eu não tenho a menor vontade de participar dessa insensatez. Gritou o jovem despertando a atenção da família.
__ O que isso Peter? Controle-se. O pai o repreendeu tentando acalmá-lo.
__ Como? Me responda. Como pode, depois de tudo que esse... esse irresponsável fez? Apontou para o rapaz que o olhava constrangido.
__ Seu irmão voltou para casa, pensei que estivesse feliz com isto.
__ Depois de desperdiçar todo o dinheiro que o senhor lhe deu? Conveniente não?
__ Mas voltou, não é o bastante? Perguntou o pai.
__ Eu sinceramente não entendo. Tenho estado ao seu lado todos esses anos, o ajudando, o obedecendo, fazendo tudo que me ordena. E nunca me ofereceu banquete algum por isso, nem para eu me alegrar com meus amigos. No entanto, ele o abandona, o trai, o desobedece, e ainda o senhor o recompensa dessa forma? Desabafa mostrando sua mágoa.
__ Meu filho querido. Eu o amo, e tudo que possuo é seu. Se queria uma festa, era só pedir. Mas ouça. Seu irmão errou, sim, ele fez tudo que você disse. Entretanto, arrependeu-se, e lembrou-se do meu amor, da paz e do cuidado que recebia de mim. E resolveu voltar. Não é uma recompensa por seus erros, apenas uma comemoração por seu retorno. Eu também o amo, e só estou me alegrando com isto.

Você pode imaginar a cena? Um jovem indignado, com ciúmes e sem entender o amor do pai, resolve acabar com a festa impedindo-o de comemorar uma grande vitória. Conhece alguém assim? Aposto que já se deparou com muitos deles. Sabe quem são? Os ladrões de alegria.
Isso mesmo, estão por toda parte. Entre amigos, parentes e até irmãos. São aquelas pessoas que não conseguem se alegrar com os que se alegram. Nem chorar com os que choram. Caminham sempre na contramão. Têm sempre uma crítica a fazer, uma observação negativa, pessimista.
Com uma palavra de desânimo  nos lábios, vivem a roubar os sonhos, a esperança e a fé das pessoas. 

As palavras têm poder. Sendo assim precisamos ser cautelosos no falar. Devemos ter o cuidado em não sermos vítimas e muito menos aquele que vai com a boca roubar a alegria de outrem.


Esta história lhe faz lembrar de algo? Sim? Isso mesmo, Jesus contou uma bem parecida na parábola do filho pródigo. Ele queria ensinar seus discípulos sobre o maravilhoso amor de Deus e seu perdão aos pecadores arrependidos.

Por Carmen Correia
  



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