E agora? Agora, Inês é morta!
Cresci ouvindo esta expressão da minha avó, e da minha mãe. Todas as vezes que alguma coisa saía errada ou quando simplesmente eu não sabia o que fazer, logo disparava a pergunta: E agora? E então eu ouvia a informação de que uma certa Inês havia morrido. Admito que euzinha não fazia a menor ideia de quem era a dita "cuja", muito menos sobre seu trágico destino. Eu disse trágico? Pois acredite-me, há pouco tive a informação de quem era a famosa dama e de que foi trágico mesmo o seu fim. Vejam isso!
A célebre frase repetida pela maioria de nós, refere-se a nada menos a Inês de Castro. Sim, a nobre galega enviada a Portugal, para ser a aia de Dona Constança, futura esposa de Dom Pedro I, de Portugal. O casamento entre o príncipe e Constança fora arranjado pela Corte, como era costume na época. E para completar o quadro de desencontros amorosos, ele se apaixona pela dama de companhia da esposa mantendo um romance escandaloso que durou até a morte da primeira dama.
Os conselheiros de Afonso IV sabendo da viuvez de Dom Pedro I exigem o rompimento do romance e arranjam-lhe uma nova esposa, para assim evitar a influencia da amada sobre o príncipe e a perda da dependência de Portugal. No entanto para desgosto dos nobres, Pedro recusa-se a deixar a amásia e então eles o enviam a guerra e num sumário julgamento pela Corte mandam trazer do interior Inês de Castro e a condenam a morte a degolando em pleno palácio.
Triste não? Pois é, daí se originou a tal frase conhecida de todos:"agora Inês é morta".
Por Carmen Correia

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