Agora é Lei. O estabelecimento que se recusar a permitir que uma mulher amamente o seu bebê em público terá que pagar uma multa no valor de R$ 500. A notícia no jornal deixou dona Zita abismada e enfurecida.
__ Esse prefeito só faz besteira. No meu tempo mulher decente não andava mostrando os peitos em público não! Esse mundo está perdido mesmo!
__ Não fala bobagem mãe! O jovem saboreando um açaí enquanto manuseava o celular retrucou.
__ O que isso Zezinho? Isso é modo de falar com a sua mãe?
__ Deixa comadre, já já dou-lhe uns bons tapas e ele se emenda. A mulher interrompeu a vizinha ao mesmo tempo que lançava um olhar de reprovação para o filho sentado no sofá.
__ Vamos então? A vizinha de longa data perguntou encerrando o assunto.
Dona Zita era dessas mulheres de gênio forte, autoritária, costumava justificar dizendo que era sincera, o que a levava a dizer o que pensava a qualquer um sem dó nem cerimônia.
Enquanto caminhavam pelo bairro em direção ao ponto do ônibus, as amigas conversavam sobre a nova lei e o grande absurdo que era o fato de uma mulher dar mamar a uma criança diante de todo mundo. Discursaram tanto sobre o assunto que já estavam sentadas dentro do lotação, quando ouviram o choro incessante de uma criança que parecia incomodada com alguma coisa. Olharam ambas para trás e viram uma jovem do seus dezenove anos aproximadamente, morena, bonita que parecia atrair os olhares curiosos ao tirar o seio para fora da blusa e começar a amamentar o filho.
Enquanto caminhavam pelo bairro em direção ao ponto do ônibus, as amigas conversavam sobre a nova lei e o grande absurdo que era o fato de uma mulher dar mamar a uma criança diante de todo mundo. Discursaram tanto sobre o assunto que já estavam sentadas dentro do lotação, quando ouviram o choro incessante de uma criança que parecia incomodada com alguma coisa. Olharam ambas para trás e viram uma jovem do seus dezenove anos aproximadamente, morena, bonita que parecia atrair os olhares curiosos ao tirar o seio para fora da blusa e começar a amamentar o filho.
Depois de trocarem farpas de ódio pelos olhos, começaram um irritante jogo de indiretas em direção a moça que tranquilamente alimentava o neném e ao mesmo tempo ouvia uma música tendo um fone ao ouvido ligado ao celular.
Nesse instante uma senhorinha que mais parecia acometida de ciúmes pelos olhares do marido para a jovem amamentadora, começou a dar voz aos insultos das amigas indignadas e passou a ofender a menina que logo foi defendida por um funkeiro e pelo cobrador que a esta altura já gritava por silêncio e ordem dentro do recinto.
O motorista irritado com aquela balbúrdia ameaçou parar o veículo, o que causou mais comoção nos passageiros que irromperam em xingamentos e ameaças de agressão ao condutor. Um afro-descendente gritou lá do fundo que era puro racismo pela injustiçada ser morena, enquanto um senhor com uma camisa com estampa do Che intervém e alega que deve ser coisa de fundamentalista medieval e retrógrado. O curioso é que a moça permaneceu ouvindo seu som e amamentando até o próximo ponto onde tranquilamente ajeitou a roupa , levantou-se endireitando o pequeno no colo e puxou a cigarra esperando parar e saltou do ônibus com cara de quem não entendeu nada daquela confusão no coletivo. A noite enquanto abria uma latinha de cerveja e assistia um casal que fazia sexo embaixo de um edredom num certo programa de tevê, dona Zita lembrava do episódio e pensava: que moça mais desavergonhada, eu hein!
O motorista irritado com aquela balbúrdia ameaçou parar o veículo, o que causou mais comoção nos passageiros que irromperam em xingamentos e ameaças de agressão ao condutor. Um afro-descendente gritou lá do fundo que era puro racismo pela injustiçada ser morena, enquanto um senhor com uma camisa com estampa do Che intervém e alega que deve ser coisa de fundamentalista medieval e retrógrado. O curioso é que a moça permaneceu ouvindo seu som e amamentando até o próximo ponto onde tranquilamente ajeitou a roupa , levantou-se endireitando o pequeno no colo e puxou a cigarra esperando parar e saltou do ônibus com cara de quem não entendeu nada daquela confusão no coletivo. A noite enquanto abria uma latinha de cerveja e assistia um casal que fazia sexo embaixo de um edredom num certo programa de tevê, dona Zita lembrava do episódio e pensava: que moça mais desavergonhada, eu hein!
Por Carmen Correia

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