sábado, 20 de setembro de 2014

Como Escrever um Conto


    Uma dica bem legal para escrever um conto



      Um conto tem que ser curto, assim como seus capítulos, parágrafos e frases. Evite ser prolixo. Economize nos personagens, nas descrições, na complicação, adjeções e clichês. Cuidado com a repetição de palavras, use a ironia e humor fino, quando possível.     Se o conto é dramático, tome cuidado com o exagero e a pieguice. Palavras ou situações fortes são tempero para serem utilizados com cuidado, pois podem ser tóxicos. Seja verossímil. Evite contradições no comportamento de seus personagens e no desenvolvimento da história. Lembre-se no entanto, que a verossimilhança não significa prender-se a realidade. Como última sugestão, seja natural! não tente estilo forçado ou literato. Se for você, provavelmente estará muito perto do melhor resultado possível! 



Segue anexo um dos meus preferidos!

                                  A arte de Ser Feliz

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pomo branco.Ora, nos dias límpidos quando o céu ficava da cor do ovo de louça o pombo parecia pousado no ar.  Eu, era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. no canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam durante a sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebe-las? Eu não era mais criança, mas minha alma ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que minha janela se abria para um grande terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. A sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo dia uma mulher , cercada de crianças. E contava histórias. Eu não a podia ouvir, da altura da janela, e mesmo que a ouvisse não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma muito difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto e as vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu que participava do auditório imaginava os assuntos e as suas peripécias - e me sentia completamente feliz.

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs, vinha um pobre homem com um balde, e em silêncio ia atirando com as mãos umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega, era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas,para o homem, para as gotas que caiam de seus dedos magros, e meu coração ficava completamente feliz.

As vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas.Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. gatos que abrem e fecham os olhos sonhando com pardais. borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos; que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. As vezes um galo canta. As vezes um avião passa. tudo está certo, no seu lugar, cumprindo seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades, certas que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem diante de minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para vê-las assim!

Meireles, Cecília   -   

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